CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
Lei Nº 13.105, de 16 de Março de 2015.
Artigo 47
Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa.
§ 1º O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova.

§ 2º A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta.


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Resumo Jurídico

Resumo Jurídico: O Que o Código de Processo Civil Diz Sobre a Boa-Fé e os Deveres das Partes

O artigo 47 do Código de Processo Civil estabelece um princípio fundamental para a condução de todo o processo judicial: a boa-fé. Ele determina que as partes, seus advogados, o Ministério Público e os demais sujeitos do processo devem agir de acordo com os ditames da boa-fé processual, tanto na fase de conhecimento quanto na fase de cumprimento de sentença e na execução.

O Que Significa Agir de Boa-Fé no Processo?

Agir de boa-fé no contexto processual significa, essencialmente, ter uma conduta leal, honesta e colaborativa com todos os envolvidos no processo. Isso implica em:

  • Não criar obstáculos desnecessários: Evitar ações que visem apenas retardar o andamento do processo ou dificultar o exercício dos direitos da parte contrária.
  • Dizer a verdade: Apresentar os fatos de forma verídica, sem omitir informações relevantes ou distorcê-las.
  • Colaborar com a Justiça: Cooperar para que o processo seja célere, eficiente e alcance seu objetivo final, que é a solução justa do conflito.
  • Respeitar os prazos e as decisões judiciais: Cumprir com as obrigações processuais dentro dos prazos estabelecidos e acatar as determinações do juiz.
  • Evitar a litigância de má-fé: Não deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei, não alterar a verdade dos fatos, não empregar meio ardiloso para conseguir objetivo ilegal, não opor resistência injustificada ao andamento do processo, não praticar ato processual com intuito manifestamente protelatório.

Por Que a Boa-Fé é Tão Importante?

A exigência da boa-fé processual visa garantir a efetividade e a justiça do sistema judiciário. Quando as partes agem de forma desleal ou maliciosa, o processo se torna mais longo, oneroso e pode levar a decisões injustas. A boa-fé, ao contrário, promove um ambiente de confiança e cooperação, permitindo que o juiz tenha uma visão mais clara dos fatos e possa proferir uma decisão mais acertada.

Consequências da Má-Fé

O artigo também prevê que quem proceder de má-fé (ou seja, agir de forma contrária à boa-fé) ficará sujeito às sanções processuais cabíveis. Essas sanções podem incluir:

  • Pagamento de multa: Uma penalidade financeira a ser paga ao Estado.
  • Indenização por perdas e danos: Compensação pelos prejuízos causados à parte contrária em decorrência da conduta de má-fé.
  • Condenação em honorários advocatícios: A responsabilidade de arcar com os custos do advogado da outra parte.
  • Proibição de atuar em determinados processos: Em casos mais graves, pode haver restrições à participação em futuros processos.

Em suma, o artigo 47 do Código de Processo Civil reforça a ideia de que o processo judicial não é um campo de batalha onde tudo é permitido. Pelo contrário, é um instrumento para a busca da justiça, que exige de todos os seus participantes uma postura ética e colaborativa, pautada pela boa-fé.